Em cada ronda da vida
tive um pingo de lei
montado sou como um rei
pelo garbo e pelo entorno
cavalo pra mim é um trono
e nesse trono me criei
de piazote eu encilhava
um peticito faceiro
que era cria de um oveiro
e de uma éguinha bragada
era da cor da alvorada
o meu petiço luzeiro
rosado como as manhãs
do pelo da própria infância
mascando o freio com ânsia
parece que até sorria
chamava-se fantasia
e era flor aqui da estância
Já mocito, meu cavalo
era um ruano ouro nas crinas
que foi dingue das chinas
e eu chamava o sedutor
fazia o jogo de cor
com o reflexo da aurora
nos cabrestilhos da espora
e nos flecos do tirador
naqueles tempos de cuera
nos bolichos aos domingos
muitos me viram pachola
com um laço a la bater cola
e virando o balcão de gringo
Meu cavalo de guerra
chamava-se Liberdade
sumi com tanta saudade
me alvoroça o coração
era um ouro fanfarrão
crioulo da própria marca
e eu ia como um monarca
na testa do esquadrão
e numa batalhas das feias
como aquela do Seival
o mesmo que um temporal
rolamos por um lançante
e até o próprio comandante
ficou olhando o meu bagual
Homem feito e responsável
o meu flete é um tostado
tranco macio bem domado
êta pingo macanuda!
desses que servem pra tudo
segundo o velho ditado
bem amestrado na lida
e um andar de contradança
de freio um balança
campeiro solto de pata
gaúcho, mas sem bravata
e eu batizei de Confiança
E o cavalo que eu encilho
nesta quadra da existência
dei-lhe o nome de Experiência
é um picaço de bom trote
e levando por diante o lote
rumbeio a Eterna Querência
e assim vou descambando
ao tranco sem escarcéu
sempre tapeando o chapéu
por orgulho de gaúcho
mas, se Deus me permite o luxo,
entro a cavalo no céu!
quarta-feira, 25 de junho de 2008
Assinar:
Postar comentários (Atom)

Nenhum comentário:
Postar um comentário