quarta-feira, 17 de setembro de 2008

A lenda de Obirici



A lenda de Obirici



Monumento à Índia Obirici
(Fonte: IMAGENS DE 20/01/2002, do site WCAMS)
Antigamente, o território onde foi erguida Porto Alegre era ocupado por duas tribos indígenas: Tapiaçu, que ocupava o cume do Morro Santa Tereza; e Tapimirim, que se situava às margens do atual rio Gravataí.
Conta a lenda que Obirici, a filha predileta do cacique dos Tapimirim, teria se apaixonado e morrido de amor por Upatã, filho mais velho do cacique da tribo Tapiaçu. Todavia, outra índia também se apaixonara pelo guerreiro. A sorte foi então decidida numa competição de arco e flecha, cuja vencedora desposaria Upatã. Muito nervosa, Obirici teria errado o alvo e, em decorrência, perdido sua grande paixão. Teria saído, então, a caminhar por uma grande planície arenosa, onde hoje se situa o bairro Passo da Areia. Cansada, teria se sentado embaixo de uma figueira e ali ficado chorando. Em meio a preces e lágrimas, teria pedido com os braços erguidos ao céu que o deus Tupã viesse buscá-la. Teria morrido, assim, de amores por Upatã. Das lágrimas, teria se formado um pequeno riacho, que corria sobre a areia, entre colinas e vales, árvores e plantas. Por isso, as mulheres indígenas que perdiam seus maridos em batalhas buscavam consolo nas "lágrimas de Obirici".
A lenda, registrada pelo escritor José Antônio do Vale Caldre e Fião, era recitada por um velho índio guarani, chamado Vicente, que teria fugido de um dos Sete Povos das Missões, logo após o final da Guerra Guaranítica, ocorrido em 1756. Em Porto Alegre, que recém estava recebendo seus primeiros habitantes, teria se instalado na área em que atualmente fica o Viaduto Loureiro da Silva.
A estátua em homenagem à índia Obirici foi inaugurada em 13/03/1975, quando o prefeito da época, Telmo Thompson Flores, inaugurou o viaduto no cruzamento das avenidas Plinio Brasil Milano e Brasiliano Índio de Moraes. A escultura foi modelada pelo artista Mário Arjonas e projetada por Nelson Boeira Fairich. (fonte: revista Viva no Sul, Ano 3, Novembro de 2000, p. 10-11)
Da mesma forma como a história de Obirici, a história dos povos indígenas é, invarialmente, muito triste.
- monumento à índia Obirici, junto ao Viaduto Obirici, situado no bairro Passo da Areia:
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As lágrimas de Obirici

A origem dos nomes das maiorias dos bairros que formam a capital gaúcha se perde no tempo. Em muitos casos já nem há vestígios dos elementos que serviram para que recebessem a denominação pela qual são identificados até os dias de hoje.

É assim com o Passo da Areia, tradicional bairro localizado na zona norte de Porto Alegre. A areia já se foi há muito tempo. Aquela área da cidade está toda urbanizada. O passo, até resistiu, mas não faz muito tempo também deixou de existir. Antigamente, quando índios ainda habitavam a região, era um riachinho chamado por eles de Ibicuiretã, que significa " rio de areia ", " água que corre sobre pó " ou ainda " passo da areia ". Brotava na baixada da Boa Vista e seu leito sinuoso passava pelo meio do areal.

Com a urbanização, o passo foi canalizado e virou um valão. Suas águas tornaram-se sujas e barrentas e atravessavam o bairro espalhando mau cheiro. Com certo alívio, os moradores locais viram o córrego ser aterrado no início dos anos 80, quando ali começou a construção de um shopping center.

Apesar deste fim um tanto melancólico, a origem do Ibicuiretã está ligada a uma linda história de amor.

Quando um homem branco sequer tinha pisado naqueles areais, ali se instalara uma tribo tapi-mirim, da nação dos tapes. Espremidos entre o Guaíba e morros, volta e meia precisavam defender sua taba com paus, pedras, lanças, arco e flecha de ataques de tribos inimigas. Os tapi-mirins viviam em permanente alerta. E como não tinham cacique, eram comandados por um chefe guerreiro. Se esse chefe adoecia, envelhecia ou morria, cabia ao conselho de anciãos escolher um novo líder para as batalhas que viriam.

Depois de eleito, o chefe, geralmente jovem e solteiro, começava a despertar a atenção das índias solteiras. Aquele que até outro dia era apenas mais um entre os seus, se convertia em um abençoado de Tupã, um escolhido dos deuses. E, assim, suscitava uma disputa entre as donzelas da aldeia. Todas passavam a usar seus enfeites mais bonitos, suas tintas mais coloridas, seus perfumes mais cheirosos. Tudo para conquistar o coração do agora poderoso guerreiro.

Mas com Obirici, uma linda jovem daquela tribo, os sentimentos não funcionavam deste jeito. Desde curumim ela nutria amor por um único índio. Nunca havia confessado sua paixão, no entanto. Amava em segredo, em silêncio, sozinha.

Quis o destino que o índio por quem ela era apaixonada fosse escolhido o chefe guerreiro dos tupi-mirins. Obirici pensou, então, que chegara o momento para se declarar.

- Grande chefe, estou aqui para dizer que te amo. Quero ser tua esposa, passar a vida ao teu lado.
- Tu não és a única a declarar amor por mim, Obirici.

- Outra índia se apresentou como tua pretendente?

- Sim, ela diz me amar como ninguém mais me amaria.

- Mas eu te amo tanto quanto ela, mais até. E desde sempre. Desde que soube o que era amar alguém ...

- Eu acredito, Obirici, mas estou indeciso.

Diante do tímido amor de sempre e da paixão repentina, o índio não soube o que fazer. Foram dias tristes para Obirici. Passou noites em claro, chorando, soluçando, odiando amar.

Como o novo chefe não chegava a uma decisão, ele próprio pediu ao sábio conselho de anciãos estabelecesse uma solução para o impasse. Assim foi feito: as duas pretendentes disputariam um torneio de arco e flecha. A vencedora seria a mulher do chefe guerreiro.

No dia do desafio, toda a tribo reuniu-se para assistir o grande acontecimento. Nunca a disputa para ser a esposa do chefe tinha chegado tão longe. Muitos repararam que Obirici demonstrava estar muito nervosa, enquanto que a concorrente parecia ganhar confiança com toda aquela gente como assistência.

Obirici transbordava insegurança. Tremia seu arco, tremia sua flecha, tremia seu braço, suas pernas, seu corpo todo. O mundo tremia em seu redor. Suas flechas atingiam o alvo sem muita convicção, como se tivessem desistido do vôo no meio do caminho.

A outra índia parecia mais afetiva ao arco e à flecha. Seus disparos eram precisos, fulminantes, certeiros. Cada flecha sua que acertava o alvo era como se acertasse também o coração de Obirici. Aos poucos sua vitória foi se tornando evidente.

Perdeu Obirici. Perdeu a batalha, perdeu seu amado, perdeu a razão. Enclauzurada em sua oca, só fazia chorar. Não comia, não bebia, não dormia, quase esquecia até de respirar. No dia do casamento do homem que havia rejeitado seu amor, não aguentou de sofrimento. Saiu da aldeia correndo, em prantos, para longe, em direção a um ponto mais alto do areal.

Era noite de lua cheia, e para lua Obirici chorou. Era noite estrelada, e para as estrelas Obirici chorou, uma lágrima para cada ponto brilhante do céu. Chorou tanto que sua face aos poucos foi se convertendo em lágrimas, seu corpo todo se transformando, se desmanchando, sedesfazendo. Obirici virou suas lágrimas, e suas lágrimas viraram um riacho, que foi fazendo seu caminho pela areia até chegar à aldeia.

Primeiro assustados, depois consternados, os tapi-mirins perceberam que o rio eram as lágrimas de sofrimento de Obirici. Chamaram o arroio de Ibicuiretã, e os açorianos quando aqui chegaram o rebatizaram de Passo da Areia, que deu nome ao bairro.

Não há mais areia, não há mais passo, mas Obirici ainda existe. Próximo ao viaduto que leva o seu nome e que se ergue sobre a avenida Assis Brasil, a índia está imortalizada em uma escultura, com os bhttp://www.sulmix.com.br/variedades_curiosidades/paginas/curiosidades_lenda_obirici.htmlraços para o céu, pedindo um alento à Tupã.
fonte de pesquisa:

quarta-feira, 25 de junho de 2008

Cavaleiros da Paz Declamam Versos Gaúchos

Em cada ronda da vida

tive um pingo de lei

montado sou como um rei

pelo garbo e pelo entorno

cavalo pra mim é um trono

e nesse trono me criei

de piazote eu encilhava

um peticito faceiro

que era cria de um oveiro

e de uma éguinha bragada

era da cor da alvorada

o meu petiço luzeiro

rosado como as manhãs

do pelo da própria infância

mascando o freio com ânsia

parece que até sorria

chamava-se fantasia

e era flor aqui da estância



Já mocito, meu cavalo

era um ruano ouro nas crinas

que foi dingue das chinas

e eu chamava o sedutor

fazia o jogo de cor

com o reflexo da aurora

nos cabrestilhos da espora

e nos flecos do tirador

naqueles tempos de cuera

nos bolichos aos domingos

muitos me viram pachola

com um laço a la bater cola

e virando o balcão de gringo



Meu cavalo de guerra

chamava-se Liberdade

sumi com tanta saudade

me alvoroça o coração

era um ouro fanfarrão

crioulo da própria marca

e eu ia como um monarca

na testa do esquadrão

e numa batalhas das feias

como aquela do Seival

o mesmo que um temporal

rolamos por um lançante

e até o próprio comandante

ficou olhando o meu bagual



Homem feito e responsável

o meu flete é um tostado

tranco macio bem domado

êta pingo macanuda!

desses que servem pra tudo

segundo o velho ditado

bem amestrado na lida

e um andar de contradança

de freio um balança

campeiro solto de pata

gaúcho, mas sem bravata

e eu batizei de Confiança



E o cavalo que eu encilho

nesta quadra da existência

dei-lhe o nome de Experiência

é um picaço de bom trote

e levando por diante o lote

rumbeio a Eterna Querência

e assim vou descambando

ao tranco sem escarcéu

sempre tapeando o chapéu

por orgulho de gaúcho

mas, se Deus me permite o luxo,

entro a cavalo no céu!

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Tradição
Tradição é o todo que reúne em seu bojo a história política, cultural, social e demais ciências e artes nativas, que nos caracterizam e definem como região e povo. Não é o passado, fixação e psicose dos saudosistas. É o presente, como fruto sazonado de sementes escolhidos. É o futuro, como árvore frondosa que seguirá dando frutos e sombra amiga às gerações do porvir. Como diz Hélio Rocha em sua belíssima página:“Tradição não é simplesmente, o passado.O Passado é um marco. A Tradição é a continuidade.O Passado é o acontecimento que fica. A Tradição é o fermento que prossegue.O Passado é a paisagem que passa. A Tradição é a correnteza que continua.O passado é a mera estratificação dos fatos históricos já realizados.A Tradição é a dinamização das condições propulsoras de novos fatos O Passado é estéril, intransmissível.A Tradição é essencialmente, fecundadora e energética.O passado é a flor e o fruto que findaram. A Tradição é a semente que perpetua, O Passado é o começo, as raízes. A Tradição é a seiva circulante, o prosseguimento., O Passado explica o ponto de partida de uma comunidade histórica. A Tradição condiciona o seu ponto de chegada. O Passado é a fotografia dos acontecimentos. A Tradição é a cinematografia dos mesmos. Enfim TRADIÇÃO É TUDO AQUILO QUE DO PASSADO NÃO MORREU.”


eu amo essa

bandeira

Meus desassossegos sentam na varanda,
pra matear saudade nesta solidao,
cada por de sol,
doi feito uma brasa,
queimando lembranças,
no meu coraçao.
Vem a noite aos poucos,
alumiar o rancho,
com estrelas frias,
que se vao depois,
nada é mais triste,
neste mundo louco,
que matear com a ausencia,
de quem já se foi.
que desgosto o mate,
cevado de mágoas,
pra quem nao se basta,
pra viver tao só,
a insônia no catre,
vara a madrugada,
neste fim de mundo,
que nem deus tem dó.
Entao me pergunto,
neste desatino,
se este é meu destino,
ou deus se enganou,
todo desencanto,
para um só campeiro,
que de tanto amor,
se desconsolou.